... Tudo começou devido a um pequeno milagre, mais precisamente, pela necessidade de descrevê-lo sobre a figura de sempre-vivas. Cantei a beleza e a eternidade de cada pequena pétala branca, sem saber que, em cada uma delas, eu iria encontrar além da beleza verde da natureza, a eternidade roxa traduzida em uma presença silenciosa. Sem saber exatamente sobre o que cantava, tornei-o abstrato, para que de minha voz ecoasse poesia. Não ecoou... A dor calava-me e minha atenção voltava-se para as sombras daquele encontro-pequeno-milagre que aconteceu entre eu e as minhas pequeninas flores brancas. Estas que furtam-nos o olhar, preenche-nos de uma presença ausente... Flores que teimam em ficar, dentro no nosso beijar de pálpebras, talvez esperando os olhos se abrirem e, deles a chance de um outro olhar, assim, como este meu, quando, distraída e outonal, apenas terminava meus dias tempestivos. Elas ainda permanecem no meu olhar confuso, assim como a tímida certeza de mais sorrisos e a busca da essência. Neste momento menor, onde os ventos castigam todo e qualquer jardim, busco adentrar-lhes sem invadir, pois há algo em mim e nas minhas flores milagrosas, algo que enternece ao ver o movimento de renovação. Não pretendo cultiva-las, não pretendo exibi-las como quem se gaba por uma conquista. Há entre nós algo de igual, uma alegria-triste, uma beleza efêmera ou a junção do verde e do roxo. Não pretendo também pensá-las visto que carrego em mim uma felicidade inexplicável só por ter olhos que as vêem, ali, desenhadas e extremamente diferentes, apesar de serem as mesmas. Neste segundo olhar de dentro, eis meu milagre teimando em ficar... sempre vivo.
domingo, 17 de agosto de 2008
domingo, 10 de agosto de 2008
quinta-feira, 7 de agosto de 2008
‘Água marina’.
Molho-me em luto, agora, quando o visceral não se manifesta.
Chora o que há demais nos outros sentidos, compulsivamente, a perda não específica: Pequenas coisas.
Olhares e anzóis que emergiam a vivacidade das minhas profundezas.
A imensidão se perde dos meus olhos. A imensidão se perde aos olhos, só...
Solidão tomada pelo cansaço dos movimentos intermitentes das ondas aos meus pés.
Perderam-se os olhos na imensidão e, novamente, lançada à sorte,
eis a incompreensão; eis a morte. Mato-me (amor). Mas, tome-o!
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