terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

28 - 30 de janeiro


Pessoas cismam de viver com coisas. Cismam de viver com outras pessoas, com música. Eu cismo de viver com sonhos. E, encimesmando-me, sonhei com o que os outros cismam: três dias e um lugar, uma pessoa e três músicas sem nexo. Esse foi o meu/nosso primeiro sonho “sonhado”. União de coisas diferentes, que de tão sonhadas, assim, quando vistas do alto da lembrança, nos dão a certeza, em absoluto, de um todo: sonho-viver.

Trilha sonora:






(Óbvio que eu iria queimar filme! Isso é sinceridade: cantamos essa música, sim, e ponto!)



segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Lendo Lya Luft, numa revista de informações duvidosas, vi o caso de uma senhora que ao comemorar seus 102 anos disse o segredo de estar ali, picando quiabos para os convidados de sua festa: havia escolhido a felicidade. Ela havia escolhido a felicidade. Ela havia escolhido. Era, então, sua vida não tão fácil quanto se fez parecer. Mas, ela estava ali, 102 anos, cortando quiabos para alimentar os seus, fazendo sua vida. Sempre considerei que o pouco que escrevo é devido ao que me dói, sendo real ou sendo o meu real. Quando nada dói, nada escrever. Sem me fazer iludir que as coisas não me doem. Doem, mas não são reduzíveis a um texto. Novamente, sem me fazer iludir, não tomei a escolha da doninha, apenas tenho tentado... sem ver o final, onde, anteriormente, veria uma parede. Mas, hoje não. Meus “hojes” tem sido diferentes, não menos temerosos e turbulentos quanto os outros; são os meus hojes, e eu os tenho escolhido. Agradecida, Dona Dodô, eu tenho escolhido.


segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Em mês qualquer, a meu ver, minha história primeira: quando bêbada me bole o corpo inteiro uma vontade de sambar. Vem subindo por meus pés uma vontade de trocar minhas roupas por vestidos rodados, meus sapatos altos por meus pés em carne viva. O álcool abre um portal com minhas raízes; vem de onde eu não consigo acessar pela memória, uma vontade de soltar os cabelos e cair na negritude que corre em mim, tornando-me uma negra de corpo e alma fartos, marcada por gerações, mas redonda, liberta... Correndo por lugares que eu nunca vou conseguir correr. Bole-me por dentro minha história não revelada, meu verdadeiro eu, minhas verdades. Isso que me entorpece também me chama: torne-se quem você é! Faz com que eu me revele mais e mais e mais de carne e osso, saliências e em comunhão com tudo o que eu acredito: essa luta por algo imenso, seja pelo meu amado social, classe, cor de pele, diversidade sexual. O que me bole me chama ao encontro de mim mesma em múltiplas alas em pleno meu carnaval que não precisa esperar o próximo mês para acontecer. Ai que vida boa, ô Lelê!

Trilha: Vai passar do meu Chico: