domingo, 31 de julho de 2016

e no peito...

E, mais uma vez, um vazio se faz em meu peito. Eu diante de um colo bom. Que eu julgava ser meu lar. Colori o cinza das paredes com o máximo de cores que eu pude. Deixei meus braços à disposição. Mostrei meu riso, coloquei mesa, fiz banquete. Chorei. Menos que agora. Mas chorei de teimosia, por que doía ser dois. Fui aonde você quis. Conheci gentes muito legais que vai ficar aqui dentro por um tempo indeterminado. Me senti acolhida. Abri as janelas da minha segurança. Escancarei as portas, botei flor em tudo em quanto é lado, principalmente aqui dentro. Colori meu rosto. Coloquei minha melhor roupa. Fiz da minha vida uma ponte... Para você vir e atravessar. Havia amor. Cedo, assim. Rápido, assim. Potencialmente triste, eu já sabia. Não imaginava que dessa maturidade viesse tanta frieza. Eu abri a minha energia. Uma noite e tudo se desfez. Um boneco infantil pegou a faca e arrancou sua orelha, como eu te disse. O que eu não te disse é que tenho fobia (e vergonha de falar isso) de pessoas amputadas. Medo mesmo. Sinto meu corpo gelado só de imaginar. Coisa de criança. Trauma infantil da professora brava e sem uma mão. Coisa de medo de sempre falar algo. Logo hoje, que eu podia ser muito mais. Ir muito mais longe. Sentir como eu sentia falta de sentir. Abriu-se um buraco. Resultado de outros traumas também. Logo este buraco da rejeição que eu tampei cuidadosamente depois de muito, muito tempo. Detesto esse lugar passivo que me permito estar. O buraco não é tão fundo. Ainda existem outros órgãos, outros corpos. Outras dores. Mas hoje estou em um buraco enorme. Enorme que surge no meu peito. Falta em mim o que ficou aí. Com você. 

quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

2015

Hoje, me despeço de você, 2015.


Por tantas vezes neste ano desejei que chegasse esta época de inversão de energia para um novo ano. Hoje em especial me despeço de você, 2015, já tendo o feito algumas vezes muito antes deste dezembro presente. Despedi de você quando chorei sem limites ao ver o céu ser adoçado pela rainha dos cupcakes, ao ver minhas energias enfraquecidas por não saber escolher ao certo com quem dividi-la, pelos "quase": planos, amores, satisfações. Quis muito que você terminasse, ali naqueles momentos, 2015. E, de alguma forma, você terminou. Despedi outra vez também quando procurava incessantemente calar aquele aperto e-nor-me no peito que me consumia: o mundo parecia não houver os gritos da minha urgência. Mas, ouviu... Enveredei em trabalho-trabalho-trabalho: 12, 14 ou mesmo 20h. Calava-me! Mas não acolhia. Então, tão logo agora, do cinza se fez cor. Azul... Como o manto de Nossa Senhora e serenou este cansaço imenso de me despedir inúmeras vezes de você, 2015. No reencontro da minha espiritualidade, eu entendi a essência das coisas a mim apresentadas este ano. Tão efêmero e transitório, tal qual minha imagem. Uma frase, no meu corpo pra dizer o que falei o ano inteiro: isso... Isso também passa. 




Um beijo, 2015! Faça-se a alegria, por ora. Nesse começo de correspondência da vida. De encontros mágicos. De sorrisos largos, mãos firmes e beijos, por que não?, longos. 

Chocho, 2015! Você passou. 2016 vai passar também! :*

segunda-feira, 2 de novembro de 2015

Para você(s).

Pare um pouquinho. Pense. Reflita e escolha. Caminho perfeito: encha o peito de coragem e defina os limites. Jogue tudo para o alto, se isso apetecer. Recomece. Ganhe mais beijos. Mais toques. Vários. Emoções milhares simultâneas. Retome aquilo que perdeu. Mas, que voltou. Vá!

Só não deixe de pensar que do lado de cá (ou de lá, porque nós trouxas do mundo somos muitos) tem uma pessoa. De carne. Osso. E, principalmente expectativas. Construídas no silêncio, quando a sensação boa fazia lembrança. Sabe? Não fode com tudo sendo egoísta. Os umbigos são lindos, mas não o centro do universo. Existem outros umbigos também lindos dando sopa por ai. Juntem-nos!

Pare um pouquinho. Pense. Relembre: houve uma palavra. Um compromisso. Um gesto de dedicação e não existe um botão de desconectar. Virar a chave e desligou. Não. Não pense assim. A ideia brilhante de mudar o rumo da prosa, não é brilhante. A ideia brilhante de se reinventar, não é brilhante. A ideia brilhante de sumir, não é brilhante.

Não deixe que as urgências valham mais que os momentos. Ou, na real, deixe. Deixe de uma vez. Mas, diga: não. Chega! Deu. Aconteceu. Respirei fundo e vi um mundo lindo. Melhor que este. Mais alegre. Mais festivo. Me deu mais tesão. E você não cabe mais nele. Deixe tudo para traz. Recomece, longe ou de onde parou, mas compartilhe.  Sabe? Reciprocidade é ainda a palavra mais bonita do mundo.

Ouçam: Brigth Idea - Ou não... rs.