sábado, 15 de agosto de 2015

Queixo-me às rosas...

Algumas semanas são mais cinzas que outras. Alguns sábados não deveriam amanhecer. Vi, alí ontem mesmo, um grande amor morrer. Mas grandes amores não morrem. Mas eu vi, vi morrer uma parte do amor. E é sempre assim... o fim. Uma parte morre. Outra parte vibra, sangue vibrante circula todo o corpo vivo enquanto o cinza preenche o outro... o cinza móbido, de um corpo gelado, que amou. E que morreu. Dessa cena triste, veio um turbilhão de sentimentos: perda de tempo essa bobagem de desaproveitar a vida, de se fechar para o amor, de não viver ou de viver de mansinho. Ficou a sensação de aproveitar tudo, agora, neste instante intenso que não pode haver outro, nunca mais. Mas, a morte de um grande amor será sempre a morte de um pedaço (enorme) da gente. Morrem os sonhos, os planos, os carinhos, a reciprocidade. Ver uma morte real, (Oh! Quanto egoísmo, Marina!) me reavivou a memoria de outras tantas mortes cotidianas e da perda do meu grande amor. Em algumas manhãs de sábado, fica a certeza que, sim, a morte é eterna. E-T-E-R-N-A. Um fim neste momento para toda e qualquer esperança. Um sopro gelado na alma, uma lembrança morta e nada mais. Ponto! Não será mais, ei-lo concreto e real: foi o fim, de uma vez por toda o lápis vermelho na caixinha. 

segunda-feira, 20 de julho de 2015

Nota ao Mr. B.

Poucas pessoas tiveram a liberdade de me pedir texto: uma amiga que precisa expor algumas decepções há belos anos. E quase dez anos (milhares de histórias, amores e músicas) depois, eis que... surge tal pedido. Simples assim: mesa de bar, comentário despretencioso e um pedido. 

Mal sabe, Mr B. que o senhorito já havia ganhado mil começos de textos imaginários. Suas pequenas coisas borbulham minha cabeça e eu que ju-ra-va que viveria concreta, transbordo o imaginário. Turbilha em mim pensamentos-palavras a cada check azulzinho que acontece mais que rapidamente e me encanta, tal como a sua cara de desenho animado ou emoticon com língua pra fora que faz qualquer pensamento nublado se desmanchar em encantamento. Você, Mr. B. valeria uma novela completa, não porque você pediu, mas por você ser encantadormente desatento a ponto de marcar o primeiro encontro, sem querer, no meio da torcida do Cruzeiro, apenas na tentativa de comer um pão de queijo.

Ouça: Don't wait too long - Madeleine Peyroux



Escrevo e digo: Em um mundo líquido, poder encontrar alguém que tenha coragem vale muito mais que um texto: vale saber esperar. Vale pintar o concreto, soltar o pensamento e dizer coisas que eu não falaria nunca por orgulho e medo de me expor mulher-sonhadora-romântica-boba. Então, Mr. B., leia e saiba que um dos lugares mais agradáveis do mundo pode ser um abraço domingo e que isso pode valer um livro... Basta você pedir.

P.S.: Tenho um pedido! Adivinha qual? 

quarta-feira, 20 de maio de 2015

carta ao pedro, 2015



Hoje conheci Pedro. Depois de nos esbarrarmos algumas vezes. Hoje reconheci um lado adormecido, que ainda me habita, mesmo que quietinho: Pedro despertou em mim um olhar atencioso.

Seus olhos-folhas-secas, seu queixo fino, seus cabelos bem pretos. Um jeito firme de falar, mas doce. Extremamente gentil. Pedro riu da minha habilidade única de machucar o mesmo pé duas vezes na mesma semana. Riu por eu ter enviado uma foto do meu dedo preto, antes de qualquer outra. Disse que eu era mesmo diferente, afinal, além do episódio da foto do pé, eu o havia batizado como Pedro, sendo seu nome outro diverso. Gostou do vinho, da pizza adocicada, das minhas capas Romero Britto. Ficou encantado com minha mão macia, mesmo com tanta aspereza a minha volta.

Bom, meu Pedro me contou sua historia: De rapinha do tacho,  menino bobo, pidão de atenção, orientado para a família a sua ida a Cingapura, Paris e ao Bonga Bonga no meu saudoso Barreiro, com a mesma simpatia e leveza, brilho nos olhos e ajeitamento do cabelo que teimava em esconder as folhas secas que haviam ali naquele olhar.

E, meu Pedro me ofereceu um ouvido, boca de poucas e gentis palavras me levando a refletir sobre a vida, a minha, a dele... (voo longe... a nossa?!). Me estendeu abraços pra esquentar e me ofereceu sua cama, de solteiro. Ha tempos não dormia em um cama de solteiro! E... Ha tempos não voltava pra casa com essa sensação de encantamento pelo simples e belo. Pelo ouvir! Pelo olhar... Meu Pedro atento, com suas folhas secas atentas a meu incansável movimento de busca. Hoje, eu encontrei o Pedro, criatura criada por mim, reconhecida em nome e sobrenome, horas inteiras sinceras. 

Hoje, eu tive um pouco do que me faltava: Afeto. Hoje, eu chorei.