quinta-feira, 3 de maio de 2007


Iaiá, quanto pecado! Eis o abismo em sua frente e dois passos para sua salvação em qualquer direção. Caso para trás, continuará no mesmo bosque. Caso para frente, irá se jogar ao infinito. Ficar estática frente aos ventos não se pode mais, Iaiá. Falta-lhe coragem, até mesmo para ser esta que não muda, vivendo os dias como o apagar de uma luz. Nas manhãs ligam os interruptores. Nas noites, desligam-nos, mas o corpo cansado de apenas existir não se pode ‘apenas’ desligar. Ah! Como cansa apenas existir. Ah! Como dói! Doninha, você sempre soube, não diga o contrário. Para um corpo infinito é preciso clareza que essa luz de interruptores não vai lhe dar. Para entrar no bosque, por sua vez, é preciso desligar-se de todos os seus conceitos e aceitar a sina dos porta retratos vazios. Escolha única e exclusivamente sua, minha pecadora Iaiá.

3 comentários:

Anna disse...

Como nos velhos tempos, eis o roto tentando acalmar (heim?) o esfarrapado... rs

“Enlaço a terra – umbigo e raiz –
E arrebato o sêmen. Do caule, a chuva,
Desvio da seiva na estrada.

No cerne do tempo,
Sangria de silêncio a esvair-se em pedra,
Arde, represa, macera.

Desejo em floração de asas
Invade o sol. Novas espécies.
Sabores de vento em combustão
A fecundar a pele.

De pronto, amanhece!”.

(Lea Moreira, in Renascimento)

sam disse...

pra quem acha as fotos em sépias mas bonitas, o ar gasto da floresta lhe cai melhor que uma incursão numa vida nova da queda do abismo.
Não se cansa apenas de viver, se cansar de não viver. De ser estático e não sentir os espasmos constantes de um coração em cócegas. Veja as cores, garota.. salte... =)

ótimo poema, anna =)

sam disse...

http://i45.photobucket.com/albums/f83/brunilla/contador.gif