sábado, 17 de março de 2007

"Rua, espada nua"

Diabinhos sopravam no ouvido dela:
- Abra a caixinha, Luiza. Abra! Deixa o cheiro da memória exalar pela sala.
Ela examinava meticulosamente os riscos de liberar o forte cheiro do guardado. Por vezes, anteriormente, pensou que não exalaria mais o cheiro de mofo, e, abriu um cadiquin só. E lá veio o cheiro forte... Agora, caso ela abrisse de vez a caixa, quão forte o cheiro exalaria? Diabinho ao pé do ouvido e as mãos coçando. Pronto: caixa aberta.
Um filme pronto para dar o play. Quanto tempo não via ao velho filme guardado na caixa que exalava mofo? Tempo suficiente para ela esquecer o quanto significava vê-lo em cores a se movimentar.
- Anda, Luiza! Aperta o stop!
Diziam os anjinhos, tentando recolocá-la nos eixos. Era tarde... O cheiro já não é tão forte, mas a inexplicável sensação o é, de forma exagerada, para não se fazer presente. Escuta, Luiza, a canção que fizeram para te esquecer...

Um comentário:

João Paulo disse...

os objetos têm história...e cheiro...