segunda-feira, 16 de julho de 2007

Mosaico, mistureba e mimimi

"Há uma maneira de evitar que se assemelha a procurar..."
(Victor Hugo)


Corpo cansado, mente cansada. Ocorreu uma implosão de pensamentos que a fez perceber que angustia. E além deles ninguém viu, ninguém sentiu... Da janela, uma visão vermelha. A vida avermelhada, quente fora e dentro dela, barulhos sem fim – é a centelha do que arde, deixa carne viva vermelha. Ela quer descanso e algo que entorpeça, mas consegue somente permanecer na janela incorporando cada feixe de luz que se vai e cada ponto luminoso que acende ao longe.

- Estava lindo. Pontinhos de nada, na noite que não deveria ter fim.

“Sem fim”. Ela fala para dentro. Fala para si, como se precisasse agarrar-se em cada fragmento de memória ainda vivo. Mas hoje, ela sabe que não precisa de palavras – mesmo sendo tão necessário serenar com a construção das linhas; a comunhão é outra no silêncio: o diálogo mais complexo, encontro de desejos inconstantes. Não, ela não precisa mais das palavras hoje. Ela tem a vida vermelha da janela, ela tem os tremores internos e as luzes crepusculares da memória. Ele é lunar. Ela é lunar? Ela também é lunar, a sua maneira. Luiza minguante a se jogar na cama tentando sentir o cheiro que nunca estivera ali em seu travesseiro. "Cubra seu rosto, Pequena... Esconda seu adolescer tardio". Ela, olhar perdido, observa o que há muito estivera lhe habitando. O que ela encontrou aquele olhar? Seus olhos crepuscularmente minguantes ainda cintilam. Ela chega mais perto? Ah! Ela se esconde dela. Escondendo os olhos, esconde-se a alma, mesmo havendo nesses teimosa entrega. Peças de dentro se encaixando (aqui e ali, será?)... Encaixa-se, Luiza! E o que virá no amanhã? Luiza nova e a certeza de que o que hoje se esconde, permanecerá “milênios e milênios no ar”...



Obs.: Ela assombra-se com a realidade não diferente das outras, e teme que tenha sido lida. Não ter tido suas palavras, mas seu corpo lido. E, ele foi, ela pressente que sim. De súbito, percebe-se toda uma vida, em forma de pressentimentos. Ela, finalmente, percebeu que o mesmo sempre é isso: o medo de ser lida por inteiro, ser atropelada por olhares que não respeitariam nenhuma pontuação, porque ela se permitiu ler. Agora, ela não mais controla. Inconscientemente, a moça se entrega, deixa de ser densa. Despindo-se das metáforas que a escondiam, ela se sente limpa, clara, talvez (não se sabe ao certo...) ela se sinta ansiosamente viva e quer chorar. Ah! Quer chorar atéééééééé que o cansaço do talvez desapareça.

Obs. II: Aos pequenos, emoções inversamente proporcionais ao tamanho...

Um comentário:

Renato disse...

aos pequenos, emoções...