quinta-feira, 18 de outubro de 2007

E a menina olhou para o casulo. Analisou os riscos de abri-lo agora... Pegou um graveto, cutucou de todos os lados expondo a lagarta metade transformada. Via o de dentro: aquilo meio bicho, meio borboleta. Tocou-o com as mãos. Ele se moveu, estava vivo. Pareceu florescer ao redor e aquilo, por um instante, pareceu poder voar. Mas algo ali parecia nada. Sete vezes, nada. E a menina olhou para aquilo nas suas mãos, um monte de desastrosos nadas. Olhou-o mais intensamente. Percebeu sua beleza e, de tão belo, temeu que outros o levasse para bem longe dela. Então, segurando-o entre os dedos tortos, levou-o até a boca e o engoliu. Agora, os nadas de dentro e de fora se juntaram e a SUA (só sua...) beleza estava salva.

Um comentário:

Elis disse...

Devemos cruscificar esta possessividade? Talvez não.
Belo texto.
Abraço!