terça-feira, 21 de outubro de 2008

O vazio dói quase como a dor da perda. Apesar de não ter perdido, organicamente, nada. Falta-me braços, como falta-me recheio. Falta tanta falta... que dói. E dói... sem a esperança de que a terapia por esses amontoadinhos de letras pudesse curar-me de mim. Eu, dói. Eu, vazio dói. Essa falta do que nunca houve faz doer. E dói. Transpira por todos os poros esses mins mutáveis e dói. Dói. Não é possível que ninguém nunca tenha doído como eu me dôo. Quisera não ser assim. Quisera abrir os braços, que me faltam, e rasgar-me inteira... quisera não expor o vazio. Quisera não doer essa dor lenta... Quisera apenas sumir e doer ainda. Doer calada apenas. Apenas dói. Sem mais... Esse luto que não passa. Sem entender os porquês, aumenta o doer a cada dia. Aumenta-me. E dói. Eu, abstrato, dói. Se ao menos sangrasse... mas não; o silêncio dói, apenas.

Um comentário:

Elis disse...

Que texto heim? É capaz de fazer sentir ... tudo! Mesmo o vazio, que seja ...o abstrato, o silêncio ... a dor.
Abraço da Elis.