segunda-feira, 28 de julho de 2008

Oi, eu sou esquisita e tenho um potencial imenso para deixar tudo de perna para os ares. Eu bebo, choro e sorrio ao mesmo tempo, às vezes grito, mas raramente falo pouco. Sou prolixa e consigo escrever ainda mais. Tenho uma Olivetti verde. Para os nascidos no século XXI, Olivetti é uma máquina de escrever. Eu costumava escrever usando-a, era mais prazeroso quando eu precisava rasgar o que havia escrito. Raramente volto a ler o que escrevo. São momentos tão íntimos que não merecem mais do que um momento de atenção. Eu nunca coloco meus escritos onde exponho claramente minhas outras coisas. Uma questão de mania, apenas mais uma, assim como roer todas as unhas até o advento de unhas postiças para meu mundo postiço. Adoro pintura. Pintei um único quadro aos dez anos de idade, um marinheiro. Minha mãe ainda o guarda e eu ainda amo pintura. Só não arrisco mais... Sim, também desisto facilmente. Empolgo e desempolgo em um piscar de olhos. Olhos míopes, o pior dia da minha vida foi devido a eles; não exatamente a eles, mas aos óculos que usava. Eles eram coloridos como metade dos meus dias: vermelhos. Mas, eu bebo, choro e rio ao mesmo tempo, e geralmente, perco coisas, pessoas, amuletos; nesse pior dia da minha vida, perdi meus óculos vermelhos. Tenho comigo que eu bebi suas hastes até que a necessidade de ver as pessoas na rua desaparecesse. Hoje, não uso mais tais lentes, prefiro não ver o que a maioria vê. Enxergo do tudo meu jeito. Não gosto de perder. Escondo boa parte do jogo, a outra restante, não vejo. Não gosto de dias ensolarados e pessoas efusivamente felizes. Felicidade, então, é o que, certamente, poupou-me o pior dia da minha vida, como registrei, bêbada, em minha Olivetti verde e depois, calmamente, chorando e sorrindo rasguei como quem apenas sente um cansaço imenso diante do nada. Olha que havia muito ali, muito preto no branco, poucas cores e a ausência de saudade. Sou ausente: de mim, dos outros, da ausência. Achar-me, ou explicar-me, é ver metade de um jogo e negar a outra (já disse?). Colorir e descolorir. Empolgar e desempolgar. Ousar e recuar. Dualidades instantaneamente mutáveis. Não quero ser muito importante, mas quero fazer uma descoberta intelectual marcante. Não espero muito da vida, nem quero me vender, mas tenho um gosto acentuado por situações efêmeras. Mudo de opiniões (minhas...) facilmente. Sou teimosa, voluntariosa, orgulhosa e romântica. Não tenho paixões, vivo de amores, a escrita, por exemplo, até certo ponto. Pronto... até aqui.

Se pudesse, rasgaria esse texto. O delete não é tão charmoso quanto o desequilíbrio transbordando pelo cansaço de mudar tudo para continuar como antes. Ponto.

Um comentário:

Elis disse...

Sabes que eu tbém espero fazer uma descoberta intelectual marcante? Esse fim do teu texto, esse ai que diz que tu muda de opinião, que é teimosa e romântica e que vive de amores ... até certo ponto, me revela demais. Como pode né?
"Aonde está você além de aqui dentro de mim", penso ... como isso que eu não escrevi pode ser teu EU? Acho que por isso gosto tanto daqui, leio e me sinto em casa!
Abraços.
Elis.