quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

"Dentro das cinzas das horas..."

"Entre por essa porta agora
E diga que me adora
Você tem meia hora
Prá mudar a minha vida
(...)

(...)
Vem, vambora
Que o que você demora
É o que o tempo leva..."
(A.Calcanhoto)
Eu que nunca mais me imaginei, assim, vestida de juras momentaneamente eternas e belezas insanas. Eu que não mais imaginava ficar sem fôlego para controlar o pensamento que teima em não ficar aqui ou que fosse ver um olhar como o que vi, quando eu fingia estar distraída com um papinho bobo, em um momento bobo de qualquer sexta-feira boba. Não. Eu não mais imaginei que ficaria aflita com a falta de contato e estressada com o celular que não toca. Tudo bem. É, está tudo bem. Mesmo que não estivesse – porque está tudo bem, eu fingiria que é, está, sim, tudo em calma, e eu não preciso de pressa. O sentir é construído, eu aprendi com os tombos que andei tomando. E eu falo com tanta convicção que tenho domínio sobre os sentimentos, que posso deixar para contar, só no próximo encontro bobo, que eu descobri que o cheiro dele é cheiro de madeira. Madeira que se entrega ao fogo com uma facilidade tamanha; porque ele, cheiro de madeira, não?
Agora, vulnerável, como não esperava estar, posso esperar dias inteiros para contar detalhes da minha vida ou para ver um sorriso meio constrangido com a minha eletricidade. A vida anda tão absurda e eu preciso contar isso, mas eu espero e contenho o desejo de querê-lo todos os dias à noite, sentado no chão, com os cotovelos sob os joelhos e as mãos fechadas próximas ao rosto, só para ver no segundo seguinte elas virem despretensiosamente em minha direção, me puxarem pra perto e tocarem minhas costas enquanto eu o ouço falar alguma barbaridade brincalhona que virá acompanhada de um sorriso de desculpas... Ah! Eu que nunca imaginei perder o controle, nem que voltaria a sentir isso, desmorfo me invadindo, me amedrontando segundo por segundo, deixando-me ‘pseudoeternamente’ instável, buscando todos os dias um encontro simplesmente bobo com a intensidade de uma vida sem pressa...
Sem pressa.

Um comentário:

Elis disse...

Muito, muito sutil ... leve, e definitivamente sem pressa ...
Abraço.
Elis