terça-feira, 19 de junho de 2007

Dois meses arábicos


“Vem, me dê a mão, a gente agora já não tinha medo
No tempo da maldade acho que a gente nem tinha nascido
Agora era fatal que o faz-de-conta terminasse assim
Pra lá desse quintal era uma noite que não tem mais fim”

Não me assustaria se em meio ao latim, alguém me lesse inteiramente, e é isso que busco. Alguém que me leia por completo, seguindo minhas reticências; necessito que tome por leitura minha existência, não o ser monte-de-moléculas Marina. Quero ser livro denso, língua mãe, ser devorada por olhos, mãos, boca, corpo na sua função verdadeira: viver. Faltou-me liberdade! Laçaram-me a alma pela pior forma, prendendo-me entre as mãos delicadas. Não posso ser pássaro preso, nem para curar-me asa quebrada. Hoje, recruto osteoclastos para reabsorver cada mg ósseo que me resta, transformar-me em pensamento, agarrar-me à dialética e abstrair do certo que “traria” felicidade. Finda o tempo de ser o que não sou, de amar o que não amo, de ser sombra e, por não ter sido lida, ter que me mostrar calor. É moça, hora da apoptose das células que eram de qualquer um, menos suas.

“E agora eu era um louco a perguntar
O que é que a vida vai fazer de mim?”

E, enfim, reticências...

Um comentário:

Elis disse...

Oi Marina, me chamo Elis, e achei um link pro teu blog, num desses tantos que visito. Eu simpliesmente amei o que li.São suas composições? Escreves muito bem! Eu gosto de escrever contos somente ... é diferente do que encontrei aqui, mas gostei muito, muito do que li.
Abraço.