quinta-feira, 7 de dezembro de 2006

Duas mulheres - Diálogos

Ao volante converso e questiono. Passa um carro e mais outro, e as palavras passam mais rápidas do que qualquer carro nessa autovia. “Saudade do sentimento”. Sei bem como é, o início e o final marcados pela intensidade do desconhecido.
Início! Despertar do novo faz da ansiedade borboletas! “Ao chegar na escada, o coração disparava”. Borboletas, escadas, dois corações e histórias com finais muito semelhantes. Ah... Final! Só de lembrar... preferimos não. O sujeito da ação mudou. As pobres borboletas já não têm mais forças para “borboletear” e a dor de barriga do medo vem
fazer companhia. “É... acabou”. Aumenta o som pra esquecer e pisa nesse acelerador para nos testar.
Pobre de nós, pensando que a música iria maquiar as reflexões. Passa outro carro, e surgem mais palavras. “Todo relacionamento estaria fadado à comodidade?” Céus! Bem, vamos voltar alguns (bons) quilômetros e lá está: “é... eu também fui assim”. Intenso... Depois da grande mudança, foi tudo assim, tão intenso que me presentearam com “Tanta decepção! Logo quando as cores ficaram mais vivas e passei a sentir como parte de mim”.
O ponteiro de velocidade reduz cada vez mais, “estamos perto” e o pensamento longe, muito longe... Cada vez menos carros e espontaneamente mais palavras tentando aproveitar cada segundo que nos resta, inutilmente... “Chegamos”. Chega o sentimento novo. Chega o desconhecido fascinante e nem tempo de contar tive. “Bem, deixa pra outra hora”. Solta metade da embreagem, pisa um tico no acelerador, dá uma olhadinha no retrovisor e abre um sorriso. Borboletas visitam me novamente... “Romântica, você nunca aprende...”

Um comentário:

elba disse...

Filhinha, flor linda!
Que bom que voltam as borboletas...
Beijos e saudades, danada.