quarta-feira, 21 de fevereiro de 2007

Na última noite de samba, encontrei-me na boca aberta da noite. Boca que me mastigava, engolia-me, regurgitava-me. Senti seus dentes cortar-me, fragmentando o que antes foi porcamente juntado e colado. Usurpou-me o que movia, rasgou-me o peito. Cuspiu o que restava do meu corpo na cama a sentir as "novas-velhas" dores.

A boca aberta da última noite de samba trancou-me no éden temporariamente aberto que agora urge ser fechado. O único instante de abertura jogou-me ao abismo. Castelos arruinados.

Vomitado na cama, meu corpo lembra do antes lido: “É o amor e não a vida o oposto da morte” *. Na quarta-feira, sou sangue coagulado, cinza e nada. Sou pó a me juntar às sombras da noite que gritam, ensurdecendo-me, que é o amor e não a morte o oposto da vida.

*Frase daqui: http://www.corraeolheoceu.blogger.com.br

2 comentários:

Mi disse...

Sopra um vento no peito, e as estrelas se escondem diante da felicidade que é lembrar de sua existência, ó, lembrança coagulada, que fomenta e me arrasta!

Mi disse...

Como dizer d'arte senão por algo d'ela?